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15/10/2013

História de sucesso

O HOMEM QUE LEVOU O SABOR DO NORDESTE  PARA O PLANALTO

Usando uma receita que aprendeu na infância, Rubem Pereira de Lucena conquistou Brasília com uma saborosa “Carne de Sol”.

Por Osmar Mendes Júnior

Brasília era jovem, bela e badalada quando o adolescente Rubem  de Lucena chegou, em 1971. Mas a cidade carecia de quase tudo. Foi isso o que atraiu o jovem estudante. Foi por  isso que ele, em 1975, resolveu instalar um pequeno supermercado na Asa Sul  da capital brasileira.

Nascido em Caicó, Rio Grande do Norte, filho de comerciante, estudado (completou o 2° grau), com muita vontade de vencer na vida e uma boa quantia de dinheiro no bolso (que conseguiu, ao se demitir do emprego, na Sadia), Rubem não teve dificuldades em se estabelecer. Em pouco tempo, seu mercadinho estava totalmente pago e gerando lucro, muito lucro.

Os negócios iam de vento em popa quando, de repente, um gigantesco hipermercado do Sul resolveu abrir uma filial em Brasília. Logo em seguida, outra super-rede internacional também se instalou na cidade. Em pouquíssimo tempo, esses milionários varejistas não só atraíram toda a freguesia de Rubem, como ameaçavam asfixiá-lo de uma vez por todas. Como bom nordestino, Rubem não teve dúvidas. Aproveitou uma oportunidade que surgiu e passou o ponto para frente. Os mercadões que ficassem com suas enlouquecidas guerras de ofertas.

Um prato foi o suficiente para chamar a atenção

Quando era dono de supermercado, Rubem vivia promovendo almoços de fim-de-semana em sua casa. Nessas ocasiões, reunia os amigos e os conterrâneos e preparava comidas típicas do nordeste para a alegria e o prazer dos convidados. Entre esses pratos, um chamava a atenção de todos. Era a “Carne de Sol”, que Rubem aprendeu a fazer quando era criança olhando os seus familiares. Entre uma garfada e outra, os amigos de Rubem não cansavam de elogiar o cozinheiro e, especialmente, o delicioso sabor da comida. Muitos até insistiam para que Rubem fosse até as casas deles para preparar a iguaria. Ou seja, cada vez mais o hobby de Rubem ia sendo reconhecido por todos.Tanto que, quando ele abriu o primeiro restaurante Xique-Xique, bastou avisar os amigos para a casa ficar logo lotada.

O primeiro restaurante surgiu depois de uma série de conversas entre Rubem e o concunhado José Araújo do Valle, que acabou virando seu sócio, depois de convencê-lo a explorar suas habilidades culinárias. Era um cantinho simples mas muito aconchegante. Rubem e Araújo logo trataram de oferecer uma comida honesta, com porções generosas e preços acessíveis. Fará isso não se importavam de levantar pela madrugada, ir às compras no entreposto hortifrutigranjeiro da cidade e selecionar pessoalmente todos os ingredientes que compõem a “Carne de Sol”.

Para que tudo desse certo muitas vezes Rubem varava a madrugada, e chegou até a emendar um dia ao outro, fazendo contas, colocando a casa em ordem, preparando-se para bem servir a entusiasmada clientela.

Logo o Xique-Xique, que foi aberto em 1979 e até hoje fica na Asa Norte, virou ponto-de-encontro da cidade Todo mundo queria disputar uma mesa por lá, atraído pela comida bem feita. Em menos de um ano, Rubem e o sócio conseguiram juntar dinheiro suficiente para montar um segundo restaurante. Aí já puderam contratar mais gente e a vida dos dois ficou menos sacrificada. Era o sucesso que chegava.

Na Asa Sul, um cardápio variado

O Restaurante Xique-Xique da Asa Sul foi fundado em 1980 — apenas um ano depois do primeiro Xique-Xique — e oferece um cardápio variado, além da mesma “Carne de Sol” (veja detalhes no box) que fez e faz a fama das duas casas. Á frequência é invejável, reunindo políticos, empresários, artistas e público em geral. O Xique-Xique, como mesmo diz Rubem, é um dos raros locais em Brasília onde se misturam todos os representantes da sociedade, começando por trabalhadores e indo até as fulgurantes figuras da elite.

Entre as personalidades que costumam passar por ali estão Lavoisier Maia, Humberto Lucena, Aloísio Alves, Roberto Freire Mussum e uma infinidade de outros. Até Tancredo Neves teve sua época por lá, antes de ser eleito Presidente da República.

Para se ter uma ideia do prestígio atingido pelo Xique-Xique, basta citar um fato ocorrido há pouco tempo, durante uma entrevista de TV que girava em torno do pacto social. O apresentador Jô  Soares, do programa  “Jô Onze e Meia”, virou-se para o convidado Rogério Magri e perguntou se era verdade que o Ministro do Trabalho teria evitado um encontro com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Luiz António de Medeiros, e o presidente da CUT, Jair Meneguelli. “Nada disso”, respondeu Magri. “Inclusive tive uma pré reunião com os dois no Xique-Xique, que, aliás, é o meu restaurante preferido em Brasília.”

Bastou essa frase do ministro Magri, em rede nacional, para que o telefone de Rubem disparasse em Brasília. Mais uma vez seu restaurante havia sido reconhecido por uma personalidade formadora de opinião.

Atualmente, cerca de 600 refeições são servidas diariamente nas duas casas de Rubem e Araújo. Grande parte desse total é paga com Ticket. A “Carne de Sol”, como não poderia deixar de ser, é responsável por 80% do movimento.

Confiando plenamente no sucesso de seu esquema, a Rede Xique-Xique já pensa em licenciar restaurantes no Rio e em São Paulo, além de outras cidades brasileiras. Rubem está disposto a passar toda a experiência necessária aos interessados (especialmente o modo de preparar a “Carne de Sol”) e mostra-se disposto a trabalhar com franquia (franchising).

Além dos dois restaurantes, que estão sendo informatizados,  o grupo possui ainda uma distribuidora de queijos, uma distribuidora de rações balanceadas, uma fazendinha no próprio Distrito Federal, onde a carne de sol é curtida, e uma pequena criação experimental de gado da raça Suíça Ocidental.

Todos esses bens foram acumulados a partir dos dois restaurantes. Nada mal, considerando-se que tudo aconteceu em pouco mais de dez anos. E para quem quiser saber o que significa Xique- Xique, Rubem faz questão de explicar: ‘Trata-se de um cacto do nordeste,